#MyFlamencoStory - Eneida {Campinas, Brazil}

José and I would like to introduce to you Eneida, a 37 year-old designer from Campinas - Brazil who is very kindly sharing her #MyFlamencoStory with us this month.

Keep reading to find out how Eneida got started learning flamenco dance and how she has incorporated her passion for flamenco dance into her life as a graphic designer.


Clique aqui para ler a tradução em português da entrevista.

This translation was provided by Eneida -> thank you Eneida!

Sou fã desse blog há algum tempo pelo conteúdo, pelo visual, pela proposta (flamencobites.com, que é um blog com aulas on-line de flamenco para todo o mundo. É da querida Renae, com quem conversei somente via email e em inglês, mas dá pra ver que é uma fofa! Além das aulas, compartilha ideias sobre a aprendizagem de flamenco, vídeos tutoriais e muito conteúdo bacana. Segue também a fanpage que vale a pena e o tradutor automático dos navegadores podem ajudar a entender os textos).

Um dia vi um post deles convidando pessoas comuns a contarem sua história flamenca. Como a minha já estava mesmo escrita, só que em português, me inscrevi com aquele meu post em que conto a minha. A Renae (que não fala português) me respondeu dias depois, dizendo que havia lido e visitado outros posts da Flamenquite (traduzindo tudo com a ajuda da internet! Que consideração, esforço e capricho, gente!…)

Bom, ela gostou da minha história e lá vamos nós aparecer na série de entrevistas #MyFlamencoHistory do Flamencobites! Com o detalhe de estar escrito em inglês, pois o blog é ‘do mundo’, a entrevista segue traduzida logo abaixo. Mas não deixem de visitar o blog clicando aqui (tem mais fotos lá, se não entender dá pelo menos pra ver as figurinhas rs…) e de dar uma curtida no final do texto (no coraçãozinho, nhó…), afinal o Olé é todo da Renae que teve essa ideia bem bacana, pra mostrar como somos muitos #flamencolovers espalhados pelo mundo afora…

Qual é sua primeira lembrança sobre o flamenco?
Minha primeira lembrança não é exatamente sobre flamenco, mas sobre dançar em frente à TV quando eu tinha 3 anos, quando meu ídolo era Sidney Magal, o mais gitano dos brasileiros. Minha mãe conta que quando passava o clipe dele no final do Fantástico, eu pirava! E quando acabava, eu chorava e pedia: ‘Mãe, põe o Magal…’ Como eu sempre gostei de dançar, quando tinha mais ou menos 9 anos eu comecei a fazer aulas de jazz e fiz por mais ou menos 3 anos. E nunca mais dancei. Minha atividade física era academia, pra manter a forma e a saúde. Mas, descobri minha paixão pela dança aos 35 anos. ‘Nunca é tarde pra começar’…

Quando e onde você começou a bailar flamenco?
Eu comecei há 2 anos, em 2013. Eu não tinha ideia do que era flamenco antes de começar a fazer aulas. Fui com uma amiga, só pra fazer companhia pra ela, e me apaixonei na primeira aula. E foi tão forte que criei um blog pra contar tudo o que eu sentia, pra não perder estas emoções (blog.flamenquite.com.br). Meu primeiro post foi sobre como eu comecei.

Era uma vez duas amigas fazendo promessas de ano novo. Ela me liga dizendo: ‘Amiga, ano que vem vamos fazer ballet’. Então ligamos para algumas escolas da cidade e a secretária de uma delas perguntou: ‘Quantos anos você tem?’ e depois de ouvir a resposta, ela continuou: ‘Ah que belezinha, nunca é tarde pra começar’, o que podia ser traduzido como: ‘Ah coitadas, tão velhinhas pra isso…’ E essa é nossa piada sobre como começamos. Adoro contar, rindo da situação. Depois disso ela me liga de novo: ‘Amiga, sábado vamos fazer uma aula de flamenco’ e eu respondi: ‘Vamos???’ No sábado, peguei minha única saia longa – vermelha (feliz coincidência) – e fui pra fazer companhia, pois eu não fazia ideia de que dança era essa… Mas, no fim da aula, perguntei pra recepcionista: ‘Posso pagar minha mensalidade na próxima aula?’ e minha amiga disse: ‘Por que, nós vamos fazer?’ e eu respondi: ‘Você eu não sei, mas eu vou!’ e foi só risada… E assim começamos no Café Tablao Espaço Cultural em Campinas/SP .

Você já viajou pra aprimorar seus estudos?
Ainda não, mas já fiz alguns workshops e masterclasses com professores espanhois como Pol Vaquero, Alfonso Losa, Angel Reyes e Isaac de los Reyes aqui mesmo no Brasil. Em Campinas há 3 escolas de flamenco e há sempre cursos internacionais como esses. Com 3 meses de flamenco, fiz meu primeiro workshop com Pol e foi muito difícil, pois eu nem sabia as técnicas básicas… mas eu aprendi que pra dançar eu preciso limpar minha mente e sentir o compasso pra deixar o flamenco entrar. Então, sempre que faço cursos como esse eu procuro pensar assim. Gosto de fazer aulas com professores diferentes, pra sair da minha zona de conforto. Sempre que é possível, gosto de fazer aulas com música ao vivo, que dá uma carga de energia e a gente aprende ‘com emoção’. Aqui no Brasil tem gente super talentosa como a cantaora Helena de los Andes e os guitarristas Denis Sartorato e João La Fúria. E também sempre procuro referências em vídeo, a internet facilitou muito a pesquisa. E viajar para a Espanha pra viver a experiência da cultura flamenca tá nos planos.

Qual foi seu maior desafio?
Meu primeiro grande desafio foi perder a vergonha e acreditar no que eu estava fazendo enquanto dançava. Assim eu fiquei mais confiante e consegui ser mais natural. Depois, o desafio foi tocar castanholas e, obviamente, dançar ao mesmo tempo. Mas, meu próximo desafio é bailar por bulerias no improviso, numa juerga. Eu ainda não tenho confiança pra bailar uma patada. Porém, acho que o flamenco por si só é um desafio diário. Não é só a dança, tem que se conhecer o compasso, o palo, o cante para ser completo. É uma cultura, é história, é sentimento. Flamenco é feito de pessoas. Flamenco é de verdade.

O flamenco mudou a sua vida de alguma forma? Lógico! Sou designer e publicitária. Mas, depois do flamenco, eu até comecei um novo negócio, sobre decoração com o tema flamenco (começando com posters). Além disso, foi uma mudança pessoal, fiquei mais confiante, mais feliz e menos estressada. O flamenco é meu novo estilo de vida. Eu sempre falo que fui abduzida, engolida pelo flamenco. No começo fiquei até com medo de ser só um impulso e que depois passaria, mas era muito forte e eu não conseguia controlar. Mas descobri muitas outras pessoas que também sentem isso. E agora elas são minhas amigas. Então somos todas loucas, eu acho…

Qual seu próximo passo no seu estudo?
Eu já aprendi Sevillanas, Guajira, Alegrias e Cantiñas. Quando vi eu estava fazendo aula praticamente toda noite com 3 professoras diferentes. Eu costumo dizer que as minhas 3 professoras são minha ‘Santíssima Trindade Flamenca’, porque elas são responsáveis pela minha base e também porque as suas aulas são complementares. São meus ídolos, depois que me assumi flamenca (mas eu ainda sou uma fã do rock clássico). Depois de 2 anos estudando cantes chicos, meu próximo passo vai ser um cante jondo, provavelmente uma farruca. Sem falar no meu ‘desafio por buleria’!

Você tem algum conselho para compartilhas com os outros dançarinos?
Sempre aproveito a chance de divulgar a cultura flamenca e fazer parte de apresentações é uma forma de mostrar o que fazemos e se aperfeiçoar ao mesmo tempo, pois isso dá segurança na hora de dançar. Mas, meu principal conselho aos iniciantes como eu, é perder a vergonha e deixar o flamenco entrar, sentir. Todos podem aprender a técnica, mas é preciso deixar aflorar sua alma flamenca. Pra isso, ache uma escola, um grupo, uma comunidade que te faça sentir em casa. Porque isso é flamenco. E é como eu me sinto na minha escola.

 
Dancing in front of TV when I was 3 (Personal archive photo)

Dancing in front of TV when I was 3 (Personal archive photo)

What is your first memory of flamenco?
My first memory of flamenco is not exactly about flamenco, but of dancing in front of the TV when I as 3 years old. A brazilian gypsy style singer called Sidney Magal was my idol. My mom says that when he played his gypsy songs at the TV shows, I used to get crazy! And I also used to cry when the show was over, because I wanted to keep dancing more and more. Because I have always liked dancing, when I was around 9 years old I went to jazz classes and stopped around 3 years later. After that, I didn't dance anymore, just went to gym to keep healthy. I rediscovered my passion for dance again at 35 years old. ‘It is never too late to start’...

Where and when did you start taking classes?
I started 2 years ago, in 2013. I had no idea what flamenco was until I started the classes. I went with a friend, just to keep her company and I felt in love in my first class. The sensation was so strong that I created a blog about my feelings - flamenquite.com.br , where I post everything about my flamenco experience.

My friend Patrícia (on the right), who introduced me to flamenco. (Personal archive photo.)

My friend Patrícia (on the right), who introduced me to flamenco. (Personal archive photo.)

My first post was about how I got started: 'Once upon a time, two friends were making New Year's promises. She said to me: "Sister, next year we will attend ballet classes". We called up some ballet schools for adults and the secretary of one of them said: "How old are you ...? and after my friend answered, the secretary said: 'Oh that´s nice, it is never too late to start ..." We know she was only trying to be nice, but my friend thought she meant "Oh, poor girls... they are too old to start"... That was our funny history. We laugh at it every time somebody asks us about how we get started dancing flamenco. After that, she called me again: "Sister, this saturday we are going to attend a flamenco class!". And I said "Shall we?". On Saturday, I took my only long skirt - red (happy coincidence) - and I went just to keep her company because I had no idea what flamenco was... But, at the end of the class, I said to the school receptionist: "Can I make my monthly payment next class?" And my friend said: "Why? Will we start the classes?" And I said "I don´t know about you... but I will!" (and we laughed again).
And that´s how we get started at Café Tablao Cultural and Flamenco Center.

Have you travelled to extend your studies?
I haven’t travelled yet, but I have had a lot of workshops and masterclasses with spanish teachers like Pol Vaquero, Alfonso Losa, Angel Reyes and Isaac de los Reyes here in Brazil. In my city, there are 3 flamenco schools and there are always international events like these.

After 3 months getting regular flamenco classes I did my first workshop, with Pol. It was very difficult because I didn´t even know the basic techniques... But I learned that to dance properly I had to clear my mind and feel the rhythm, let flamenco get inside of me. So, every time I take classes like these I try to think this way.

Playing castanets at Café Tablao Students Dance Performance 2014. Cantiñas Theme: ‘Alma Y Olé’ | Castro Mendes Theatre | Campinas/São Paulo/Brasil | Photographer: Júlio Cesar Costa

Playing castanets at Café Tablao Students Dance Performance 2014. Cantiñas
Theme: ‘Alma Y Olé’ | Castro Mendes Theatre | Campinas/São Paulo/Brasil | Photographer: Júlio Cesar Costa

I like to do classes with different teachers because we go out of our comfort zone and we get better and better. Whenever I can, I take classes with live music because I think that is also a powerful and exciting way to improve our knowledge. Here in Brazil we get very talented flamenco singers and guitar players like Helena de los Andes, Denis Sartorato and João La Fúria. Also, I try to watch videos, watch live flamenco shows and read about the rhythms that I am learning to dance, because these references help improve my dance to. To travel to Spain and experience flamenco culture is already in my plans.

What has been your biggest challenge?
My first big challenge was to lose the shame and believe in myself. So I got more self-confidence and could be more impulsive. After that, my challenge was to play castanets, and, obviously, dance with them. But my next challenge is to dance bulería, by improvisation, in a 'juerga'. I am still shy and I have no confidence to dance a 'patada'. By the way, I think that flamenco is an everyday challenge. It´s not just a dance, because we need to know the beat, the rhythm and the ‘cante’ to be complete. It´s a culture, it´s history and feelings. Flamenco is made of people. Flamenco is true.

One of my posters. The translation is ‘A word beyond words’ Olé.

One of my posters. The translation is ‘A word beyond words’ Olé.

Has studying flamenco dance changed your life in any way?
Yes, for sure! I´m a designer and I work with advertising but after flamenco I have even started my own business, about decoration with flamenco theme (starting with posters).

Beyond that, personally speaking, I got more confident, happier and less stressed, because flamenco is my therapy and takes care of my body and my mind. Flamenco became my new lifestyle. I used to say that I was abducted, swallowed by flamenco. I was afraid when I get started, because it was a strong feeling that I could not control. But I met many people that have this feeling too. And we are friends now. We are all crazy, I think...

What is the next step in your flamenco dance study?
I´ve already learned Sevillanas, Guajira, Alegrías and Cantiñas. When I realized I was taking classes almost every night, with 3 different teachers. I used to say that my teachers Karina Maganha, Marília Cesarino and Marina Merheb are my ‘Holy Flamenca Trinity’ because they are my foundation and your classes are complementary. They are my idols after I became flamenca (although I will still be a classic rock fan). After 2 years studying ‘little songs’ (cante chico), my next step is a ‘deep song’ (cante jondo), probably Farruca. And not to mention my 'Buleria challenge'!

My teachers of Café Tablao Cultural and Flamenco Center. Marília Cesarino, Karina Maganha, me and Marina Merheb. (Personal archive photo)

My teachers of Café Tablao Cultural and Flamenco Center. Marília Cesarino, Karina Maganha, me and Marina Merheb. (Personal archive photo)

Do you have any advice that you would share with another dancer?
To spread flamenco culture is a habit of mine. I always try to be part of concerts and performances because I think it gives more confidence to dance and we can to introduce it to the general public.

But the main advice to the beginners like me is to overcome shyness and let flamenco get into you, feel it. Although everyone can learn the technique, not everyone can show your flamenco soul. To achieve this we need to find a flamenco school, a community or a group where we feel like home, as if they were our family. Because that is flamenco. And that´s how I feel at my school.


Eneida thank you so much for taking the time to tell us your story, the flamenco community in Campinas sounds incredibly vibrant and supportive. We wish you all the best with your dancing and for your flamenco designs.

We hope you'll go and have a look at Eneida's website flamenquite.com.br - if you don't read portuguese the automatic translation tool of the chrome browser is helpful.

This is our second #MyFlamencoStory interview, our first was with Seana from Portland,USA.

If you would like to share your flamenco story please contact us at submissions@flamencobites.com with #MyFlamencoStory in the subject line.

Don't be shy, we'd love to hear from you at at any stage in your flamenco journey.

Thank you for reading,

Renae and José